18 março 2009

Nu deserto

A visão fraccionada resulta da natureza do próprio cérebro. Quando eu digo "Isto é assim." estou a limitar o meu pensamento dizendo que "é assim" e não de outra manaeira, surge o pensamento fraccionado. Se nunca assumir que "Isto é assim.", "isto" pode ser sempre o que for que eu estarei preparado para ver o que realmente é. 

O cérebro não sabe trabalhar com a realidade mutável tal como ela parece ser. A sua natureza, o seu funcionamento, depende da concretização conceptual, mas esta é só uma imagem da realidade e não a realidade. Ora, muitas vezes a origem do sofrimento está na inadequação da ideia à realidade, logo, muitas dessas vezes o sofrimento é inerente ao processo mental que ocorre naturalmente, sendo o próprio sofrimento então... natural. Tão natural como a sede, no deserto.

Imagem: Frantisek Staud

14 março 2009

Absent...

Por vezes o meu sentir não é mais do que isto. Para sentir o cá dentro é preciso deixar o lá fora, deixar tudo quanto se pode e ficar simplesmente... Absent...

11 março 2009

Yours Tears

Não havia qualquer interrogação nas tuas lágrimas. Qualquer ponto, vírgula, palavra, frase, discurso... qualquer código... Mas eram tão reais.

Imagem: "Liquid Sculpture"; www.liquidsculpture.com

These days...

Que roupa vou vestir? Qual o plano de trabalho para hoje? Que atalho devo tomar para fugir ao trânsito caótico. Será que o meu chefe está bem disposto? Será que os meus clientes estão bem dispostos? Qual será hoje o prato do dia? O que faço com este problema? Será que consigo acabar isto hoje? Que horas são? Será que ainda apanho o supermercado aberto? Onde vou deixar o carro? Que farei para o jantar? E amanhã?, como vai ser? Que horas são isto?

Não foram assim os nossos dias?

The system!

Já te levantaste? Já saíste de casa? Já leste o jornal? Já te preocupaste com as notícias? Já perdeste o teu humor? Já disseste "bom dia!" a todos? Já te sentaste? Já leste os recados que te deixámos? Já fizeste tudo o que te mandamos? Já perdeste a vontade de te queixar? Já te esqueceste do quão bom era quando não nos conhecias? Já deixaste de questionar a realização? Já te cansaste? Já perdeste a vontade de não te esgotares? Já estás esgotado? Muito bem! Vai dormir! Começa a sonhar que nós já te acordamos quando quisermos... (Mas não queremos saber de ti.)

Imagem: The matrix Reloaded

01 março 2009

Moored in my beautifull pier...

"Que belo cais." Vou atracar. Vou ver quem mora por aqui. Se por aqui morar o sofrimento espero que ninguém tenha levado... o meu barco que deixei... Moored in my beautifull pier.

Imagem: Monet – The Studio Boat  series

17 janeiro 2009

...swiming in the ocean of my dreams. Take a deep breath.

Os meus sonhos são o meu caminho sem caminho definido para lá chegar. Por vezes, os meus sonhos parecem tão sonhados que qualquer realidade não é pura coincidência. É vontade.

No mar dos meus sonhos habituei-me a viver. É para lá que fujo para sobreviver.

Se me quiseres na tua vida não me puxes para ti. Fecha os teus olhos e dá-me a tua mão... Take a deep breath.

Imagem: Boris Vallejo

13 janeiro 2009

Cascas...

Depois de toda a exaltação, luzes, brilhos, do aparentemente... prazer... Apenas um único fica. Um único subsiste... o Eu. Por isso, se há pessoa com quem tenho de aprender a viver é comigo. Eu nunca me abandono e por mais que me afaste de mim... voltei e volto sempre a mim. Afinal, de todos os que observo eu devo ser o mais observado. De todas as minhas perguntas eu sou a minha melhor resposta. Em todos os cruzamentos eu sou sempre o meu caminho. 

Eu sou a semente dentro de todas as cascas. Eu sou quem deve cuidar de mim... sempre.

31 dezembro 2008

Ce bateau est mon âme. Cette rivière... ma vie.

Este barco é a minha alma. Este rio a minha vida. 

Em mim há um caminho, este rio. Em mim há uma vida, a sua corrente. Entre marés altas e baixas, entre chuvas e tempestades guardo-me comigo. Com a minha alma... Este barco é a minha alma.

Enquanto houver tempo vou descendo. Vou apreciando a paisagem, sem ancorar, sem me prender. Procuro a beleza, a harmonia, a saúde na margem que passa e pergunto ao meu barco se algum dia a vou encontrar. Ele não me responde. Mas acho que nunca saberei... se não ancorar.

Imagem: Monet – The Studio Boat  series

30 dezembro 2008

Piano como tinta... Silêncio como folha... – The Köln concert

Escreve em som na folha do ar. Basta "ler" com atenção.

Um concerto totalmente improvisado dado numa noite atribulada e ainda por cima... com o piano "errado".

23 dezembro 2008

...waiting...

Desejos, imaginações futuras, egoísmos, limitações, batalhas, desilusões, aparentes vitórias. Vou sentar-me e esperar que passem. Até sempre!...

11 dezembro 2008

Who am I, ou quem sou eu?

Por mera curiosidade, ou não, acabo por chegar sempre a uma questão teima em não se desprender da razão. Quem sou eu? Olhando seriamente ao espelho, ao espelho social também, pergunto-me quem sou eu? Dispo-me, de preconceitos também e... Quem sou eu? E é despido, nu de tudo e vestido de mim que encontro... Quem sou eu? Eu sou este corpo, estas mãos que escrevem. Tenho uma história, o meu passado, guardado em memória, que se projecta presentemente num futuro. Eu não sou o que quero ser, sendo que o que eu quero ser não é mais que uma ideia criada pelo passado de onde vim e eu não sou só ideias. Veja-se isto, observe-se.  Um corpo que tem, conta, uma história, que sente presentemente e deseja um futuro em segurança. Só isso. Não há espelho que mostre mais, que permita ver qualquer transcendência, qualquer missão ou sentido de vida. E é este ser, em conflito pelo facto do desejo do futuro em segurança se confrontar no presente com a realidade, gerando o conflito, que escreve neste momento. Mas será este conflito só meu? Será que amanhã o meu dia vai correr bem? Será que o meu patrão estará bem disposto? Será que amanhã... Isto é conflito. Sinta-se o conflito. A insegurança é conflito e o conflito deseja a sua resolução e... É o conflito do presente... que provoca a projecção da solução no futuro... e cuja decisão traça um caminho... que será passado após percorrido... que fará parte da minha história e que fará com que a realidade do ser seja o presente, com uma história para contar num corpo que se vê ao espelho... e que pergunta... Quem sou eu?
Imagem: Auto-retrato – Pablo Picasso